O que o texto procura trabalhar é o estreito laço visível (material ou ideológico) entre pedagogia e filosofia. Dentro desta concepção, entram os quesitos que são fundamentais para a formação ou mesmo entendimento de uma tendência filosófica, que são a política, a economia, a cultura e etc. Para melhor entender esta relação educacional/existencialista, o autor Cipriano Luckesi pontua as diferentes tendências pedagógicas existentes dentro da concepção liberal e progressista. Todas elas representam suas ligações com os ideais e/ou intencionalidades da educação e a posição da escola dentro da sociedade em questão, sempre incluída em uma determinada maneira de pensar e agir.
Cipriano separa as tendências nos seguintes termos:
1. Pedagogia liberal;
1.1 Tradicional: Consiste em legitimar a existência do sistema capitalista e seus mecanismos através de métodos de educação, pois prepara os indivíduos para a realidade classista;
1.2 Renovada progressivista: Consiste em calcar o aluno dentro da realidade social, fazendo se conhecer a si próprio para que sobreviva dentro dos mecanismos capitalistas. Difere da tendência tradicional na questão do conhecimento da realidade e não de “enquadramento”;
1.3 Renovada não-diretiva: Nesta tendência, o foco é o aluno. O professor trabalha elementos que favoreçam o desenvolvimento pessoal do indivíduo para a sua vida;
1.4 Tecnicista: O objetivo é preparar o indivíduo para as necessidades do mercado. Para isso, se vale de elementos behavioristas e tecnológicos;
2. Pedagogia progressista;
2.1 Libertadora: Trata-se de uma tendência de cunho crítico. Vai na contramão do grande pressuposto liberal que é a mecanização do aluno ou formação exclusiva para o mercado. Tem como grande idealizador o educador Paulo Freire;
2.2 Libertária: Esta tendência tem por característico a preparação de alunos autônomos frente a realidade e sua posição social;
2.3 Crítico-social dos conteúdos: Tem o aspecto do conteúdo como primordial, pretendendo apresentar ao aluno todas as contradições e dificuldades da realidade social. Pretende fazer com que o aluno leve sua bagagem crítica para o meio de trabalho que irá viver.
O autor ainda finaliza na defesa de uma educação que priorize a formação do espírito crítico do aluno. Na sua condição de educadora, a escola precisa trabalhar pressupostos que façam com que o homem deixe, segundo o autor, a sua condição de “dominado” e passe a questionar a sociedade e o mundo a sua volta.